Já parou para pensar sobre qual o impacto do seu cabelo em sua vida? Isso mesmo, seu cabelo! Saiba que o nosso cabelo consegue comunicar às pessoas aspectos da nossa personalidade e até mesmo o nosso estado de espírito.

 

Desde a antiguidade o cabelo é utilizado por diversas culturas como forma de expressão capaz de simbolizar aspectos como força, sedução, status, estado civil, sexo, entre outras coisas. Ele também foi utilizado como forma de luta política e resistência na década de 60 com o movimento Black Power, trazendo à tona debates sobre o racismo e a imposição da cultura europeia sobre os negros.

 

Nos últimos anos vem aumentando cada vez mais o número de meninas e mulheres assumindo seus cabelos crespos e/ ou cacheados. Aos poucos estão surgindo mulheres na mídia, principalmente nas mídias sociais, falando sobre o cabelo crespo e sobre o processo de transição capilar. A transição capilar é o processo em que a pessoa deixa de utilizar produtos químicos que modificam a estrutura do seu cabelo (ex. progressivas, alisamentos ou relaxamentos) e passa a assumir seu cabelo natural.

 

Vivemos em uma sociedade racista que busca esconder qualquer relação com nossa ancestralidade africana. Podemos observar estes preconceitos em pequenas frases do dia a dia, frases estas que desvalorizam a identidade negra. Então, como assumir o cabelo crespo, se mostrar aspectos da minha negritude é considerada uma ação negativa?

 

A construção das representações negativas sobre o cabelo

A menina de cabelo crespo e/ou cacheado desde pequena é submetida a “rituais de beleza” que buscam esconder o volume e/ou a estrutura do seu cabelo, deixando-a mais próxima do padrão social. E nesta imposição, muitas vezes ela é exposta a diversos produtos químicos. Dessa forma, como gostar do seu cabelo, uma vez que ele é difícil de pentear, dá tanto trabalho e causa tanto sofrimento cuidar dele?

impacto emocional da transição capilar

Além disso, ao olhar a sua volta essa menina observa que todas as mulheres alisam seus cabelos, e cresce achando que é deste modo que também precisa ser. Isso tudo faz parte do racismo estrutural sobre o qual nossa sociedade está firmemente fundamentada, que enxerga apenas definições de beleza a partir de um padrão eurocentrado e repele tudo o que seja diferente disto.

 

Essa é uma criança que poderá crescer com ideias negativas a respeito do seu cabelo (“cabelo ruim”, “cabelo duro”, “palha de aço”, etc.) e acreditando que cabelo bom é o cabelo liso, pois não tem sofrimento para pentear. E na maioria das vezes, passará a reproduzir com suas filhas a mesma ideia sobre o cabelo.

 

O que é necessário saber antes de dar início à transição capilar?

 

Hoje com o aumento no número de mulheres assumindo seu cabelo de forma natural e também com o aumento gradativo de mulheres negras em canais no YouTube, em blogs, na televisão, etc., estão ocorrendo vários debates sobre este tema. Estas discussões ajudam no empoderamento destas mulheres, para que assim possam assumir seu cabelo natural.

 

Porém, mesmo com o aumento da representatividade na mídia, este processo acaba tornando-se doloroso. Além de fazê-la reviver as experiências negativas que teve com seu cabelo, a transição mexe com a autoestima da mulher, uma vez que seu cabelo durante um período fica sem definição e é necessário que  ela tenha paciência para que chegue ao resultado esperado.

 

É necessário que se tenha clareza de que o processo de transição capilar não é apenas um processo de mudança externa. Antes e durante a transição capilar a mulher passa a lidar com questões internas e passa a reviver todos os preconceitos que viveu na infância.

 

Na transição capilar, muitas mulheres acabam desistindo por não estarem fortalecidas para lidar com as questões emocionais geradas por este processo. Deste modo, realizar uma psicoterapia neste momento pode ajudar esta mulher a lidar com as dificuldades da transição, atuando no fortalecimento interno e no seu empoderamento. Assim, este processo de transformação interna e externa passa a ter uma sustentação maior, pois o ego estará mais fortalecido.

 

A transição capilar também faz parte do empoderamento feminino e acima de tudo do empoderamento da mulher negra.

 

E pra você? Como foi o processo de transição capilar? Deixe seu comentário.

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Mariana Santos
Psicóloga Clinica Winnicotiana e Neurocoach
Formação em LIBRAS pela DEDIC/PUC
CRP 06/126116
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